Confira uma entrevista exclusiva com Vinicius Pedroso, CEO da Empoliga, que atualmente é o maior torneio do tier 3, contando com serie A, B e C o torneio possui parceria com a Falkol. A liga já chamou atenção de grandes nomes do cenário como Ranger, Theusma, Kennedys e Halier que dão assistência para times da liga.

Como surgiu a empoliga e quais são os objetivos do torneio?

A Empoliga surgiu de um desejo de mudar o cenário amador de torneios, especialmente para o low elo. Não existe hoje, além da Empoliga, torneios que dêem uma experiência competitiva razoável.

Particularmente eu joguei alguns torneios da comunidade e eles são incrivelmente frustrantes, são desbalanceados, são de dia único, é quase uma fila flex. Você enfrenta um adversário hoje que nunca mais vai enfrentar, especialmente pro low elo. Fora os smurfs, você se prepara uma semana inteira com amigos, para pegar um time cheio de smurfs, perder na primeira rodada e se sentir mal.

já organizava torneios de outras modalidades, como Pokémon TCG, Pro Evolution Soccer e também gerenciava o interclasse da minha faculdade, então me veio a ideia de criar uma liga. Algo que você conhecesse os adversários, que  pudesse estuda-los, criasse rivalidades e histórias. Também queríamos que tivesse transmissão dos principais jogos.

Por objetivo inicial, eu queria proporcionar a todos os jogadores de todos os níveis uma experiência competitiva real, próxima do que vemos no CBLOL, porém, o objetivo atual é se tornar referencia em torneios amadores, ser uma “categoria de base” de jogadores que desejam ser profissionais e quem sabe revelar talentos para o competitivo brasileiro.

Madruga E-sports
Madruga E-sports bi-campeão da Empoliga

Como você se sente em relação ao crescimento da empoliga? Era algo esperado?


Já tinha ouvido que sabia organizar torneios e conseguia mobilizar pessoas, mas sendo sincero nunca esperei esse crescimento absurdo. Quando começamos, tinha uma ideia de 10 times, como eu possuía a página no Facebook Empolgou CBLOL, com um alcance pequeno, lancei no grupo e só arranjei 17 pessoas. Não desanimei, para completar eu mesmo joguei, chamando mais 2 pessoas pra completar 4 times.

Transmitimos a final e as pessoas notaram como seria legal jogar. De 4 times no primeiro torneio saltaram para 9 no segundo, depois 14 no terceiro.
Vimos a necessidade de criar uma segunda divisão, e mesmo assim tinha muito time. Tivemos que abrir uma classificatória e deixar algumas equipes de fora, chegamos a abrir uma terceira divisão. Só depois que vi 50 times brigando por 8 vaga me toquei que as coisas poderiam ir mais longe que um torneio de uma pequena comunidade no face. Em 2020, comecei a planejar para que crescesse cada vez mais, agora são 96 equipes.

Me sinto muito feliz com isso tudo, por que pela primeira vez nos meus 31 anos me senti fazendo alguma diferença na vida. Criei e administro algo que faz bem para as pessoas, que faz elas verem o jogo de uma maneira diferente. É assustador o crescimento, mas ao mesmo tempo muito gratificante. Minha depressão não volta por que eu me sinto vivo pela primeira vez na vida, e nem é pelos números, mas sim pelos agradecimentos e  mensagens da galera. Claro que tem um ou outro que me odeia, mas geralmente é porque foi banido por usar smurf (risos).

Halier
Halier campeão do cblol anunciado como consultor na empoliga

 Como surgiu a parceria com a falkol?

Eu não faço ideia. (risos). Foi rápido para mim, mas segundo eles, já estavam observando a gente já há algum tempo. Já tinha me encontrado com a galera da Falkol no ano passado, por que eu fazia cobertura de imprensa/criação de conteúdo do CBLOL/Circuito Desafiante/Superliga, mas nunca tive uma conversa direta até esse ano. Ali pro fim de março o Fausto, que é pai de um dos jogadores da liga , o FoxyMC da 5Dragons, tinha o contato com a Falkol e marcou uma reunião, assim conversas foram rolando.

Fui apresentar pro Toti (CEO da Falkol) o projeto da Liga e acho que foi desastroso, nunca fiquei tão nervoso da minha vida, mesmo assim ele gostou e disse que ajudaria.

Ainda estamos no começo da parceria, mas logo a gente anuncia mais coisas. A Falkol , e agora a Prodigy , acabam dando muita legitimidade e tem muito a acrescentar a liga e fazer a gente realizar os nossos objetivos como cenário competitivo amador.

Falkol Prodigy
Falkol e Prodigy anunciam fusão

Como foi criado o sistema de pontos e como foram feitos os cálculos para decidir quanto cada elo valia?

A gente foi fazendo experimentos, na primeira edição os jogadores eram todos free agent e equilibramos de acordo com os elos. Um diamante aqui, outro ali, colocava um ouro para equilibrar, enfim, ficou legal, mas era trabalhoso.

Eu sou muito ligado a esportes em geral, e um dos que mais gosto é o Vôlei. A Superliga de Vôlei tem um sistema de pontuação dos jogadores para equilibrar as equipes, lá é bem subjetivo, já que os técnicos e jornalistas que atribuem os pontos aos jogadores, mas no lol a gente já tem os elos e eram uma boa medida.

A ideia era manter uma média entre o ouro e o platina. Então fomos colocando valores de 1 para bronze, 2 para prata, 3 para ouro, 4 para platina III/IV , 4,5 para Platina I/II e por aí vai até 10 para os Desafiantes. Considerando que 5 platinas III/IV somariam 20 pontos, estabelecemos esse limite na época. Foi um grande sucesso, porque os jogos eram equilibrados, você poderia ver ouros enfrentando diamantes , só que de certa forma equilibrada, pois o contrário aconteceria em outra rota.

O que passou a contar foi a preparação da equipe ao invés da capacidade individual, as vitórias eram merecidas e as derrotas eram mais aceitáveis. A cada temporada aprimoramos o sistema, alterando pontuação de jogadores, elos , aumentando os limites. Atualmente estamos com 22 pontos, sempre ouvimos a comunidade e ajustamos o que eles acham necessários no sistema. Já vi alguns torneios copiando a ideia e eu deveria processa-los (risos) mas é uma boa ideia e que funciona bem.

Tivemos problemas com smurfs, então passei a ter mais trabalho de investigação das contas. Já tivemos vários bans por causa disso, porém, tem diminuído bastante a incidência.

Empoliga
Sistemas de pontos – Empoliga

Qual sua visão sobre o futuro do tier 3 com as franquias do cblol? Você vê a Empoliga como um torneio importante em um cenário sem as classificatórias para o circuito desafiante?

Acredito que o Tier 3 vai precisar se reinventar, torneios de Battlefy são legais pra farmar RP mas não dão visibilidade. Antigamente você poderia disputar o circuitinho e sonhar com uma vaga no Circuitão e depois no CBLOL, mas sendo sincero, quase nenhuma equipe conseguia isso, no máximo se destacavam um pouco até enfrentar alguma Academy, então davam a vida ali para ver se algum jogador brilhava e era contratado.

Creio que agora o Tier 3 tem uma chance única de finalmente montar seu próprio cenário. Uma liga, e não torneios mata mata aleatórios, focar na competição e não na premiação, para que jogadores e equipes se destaquem e não dependam mais do cenário Tier 1 para serem grandes, angariar seus próprios patrocinadores e criar sua torcida.

O cenário universitário quase conseguiu isso, o Tier 3 tem força pra conseguir e tem muita org boa por aí. A Empoliga entrou nessa onda, criando a Empoliga Major, que é free elo, a ideia é justamente criar uma alternativa ao antigo Circuitão. Tivemos um grande sucesso para a primeira temporada com 16 equipes e já estamos com 32 e duas divisões. Esperamos que as equipes que ficaram de fora do CBLOL ou que estão órfãs do circuitinho olhem pra gente com carinho e topem esse desafio. Já temos nosso cenário Tier 3 forte, mas falta um espaço centralizador, e a Empoliga Major tem tudo pra ser isso.

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